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Breve Hístória da Mímica - Cleber França

Breve Hístória da Mímica

OS MIMOS SAGRADOS

A pantomima atual é o resultado de mais de 5.000 anos de especialização.

Suas origens são religiosas como também as do próprio teatro dramático. Nas diversas civilizações antigas e primitivas onde os sacerdotes usavam expressões corporais para transmitir as sensações do divino, narrando epopéias, e, quando incorporados pelos espíritos divinos curavam, orientavam e revelavam-se as comunidades, essas expressões tinham características pantomímicas.

Esta semente pantomimíca é encontrada nos rituais egípcios, hindus, sumérios e gregos.

PANTOMIMA ANTIGA

No século IV A.C., a grécia helênica promove seus festivais dionisíacos. A tragédia é muito popular. Aristóteles escreveu em sua obra A Poética sobre o texto da tragédia e cita no primeiro parágrafo os mimos de Sófron e Siracusa, como uma expressão teatral, à parte, com a necessidade de uma denominação específica.

Nos vasos jônicos é fácil de encontrar as pinturas retratando esses artistas que mimicavam os governantes locais ou os tipos populares engraçados.

PANTOMIMA CLÁSSICA

O imperador romano Augusto promoveu os pantomimos. Os festivais realizados no Palácio dos Esportes eram assistidos por 40.000 pessoas. Muito foi escrito sobre esse apogeu da pantomima. O poeta Livius Andronicus é considerado o primeiro one-man-show da história do teatro. Foi inventor da pantomima romana. Ele fez a ponte entre a pantomima grega e a latina.

Também vale reportar a citação de Cícero sobre a interpretação de dois grandes pantomimos romanos, Bathylle e Pylade, quando apresentaram suas versões para a tragédia grega Prometeu, de Ésquilo, - Como se existisse uma língua em cada ponta de seus dedos.

A PANTOMIMA ROMÂNTICA

Após o obscuro período da Idade Média onde a Inquisição proibiu qualquer livre manifestação artística, surgiu na França em 1813 um genial pantomimo que reavivou o gênero. Jean-Gaspard Debureau criou o personagem Baptiste oriundo da família dos Piêrrots da comédia francesa. Elaborou um repertório e motivou o surgimento de um estilo romântico.

Houve uma efervescência da pantomima romântica nos anos posteriores e por toda a Europa muitos artistas aprimoraram o estilo se apresentando em teatros, music-halls, boulevares e circos. Podemos conferí-lo nos filmes de cinema mudo. Os pantomimos Chales Chaplin e Buster Keaton são os mais expressivos herdeiros desta pantomima.

PANTOMIMA MODERNA

No início do século XX as artes em geral tiveram seus conceitos e estéticas transformadas com rupturas aos conceitos tradicionais e o surgimento de novas tendências estéticas.

Na França Etiênne Decroux começou a codificar uma gramática para o movimento corporal, resultando numa técnica que acabou sendo as diretrizes para o surgimento de um novo estilo de pantomima.

O mais representativo pantomimo dessa técnica é Marcel Marceau que criou o personagem Bip e um repetório neo-clássico.

Hoje, essa técnica é identificável como uma linguagem de acessório nos trabalhos de vários artistas. Por exemplo, nas coreografias de Michael Jackson com seus passos de dança sem sair do lugar. Nas performances dos shows de ilusionismo dos mágicos, como David Cooperfield. Ou nas performances cinematográficas do clown inglês Mr. Bean.

Cleber França, junho de 2002

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